SANGRAMENTO UTERINO DISFUNCIONAL

Problema pode afetar as mulheres em qualquer fase de sua vida reprodutiva e está ligado às alterações hormonais

Sangramento uterino disfuncional ou anormal – como é mais conhecido – é um distúrbio freqüente, que pode ocorrer em qualquer época do período reprodutivo da mulher. De acordo com a Dra. Rosa Maria Neme (CRM SP-87844), graduada em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, com doutorado em Medicina na área de Ginecologia pela Universidade de São Paulo e Diretora do Centro de Endometriose São Paulo, a causa deste problema está ligada, normalmente, a vários fatores, como abortamento, doenças da vagina, colo do útero e uso irregular de contraceptivos hormonais.

Mas, o que realmente caracteriza o sangramento uterino anormal? “Este problema varia desde pequenas perdas de sangue no meio do ciclo menstrual – que chamamos de spottings, até sangramentos agudos e abundantes. Esta queixa corresponde a cerca de 50% das causas de visitas ao ginecologista”, relata a Dra. Rosa Neme.

A ginecologista esclarece ainda que para conceituar um sangramento uterino anormal é necessário primeiro estabelecer o que se considera um sangramento menstrual normal. ”O ciclo menstrual normal é caracterizado por um intervalo menstrual entre 23 e 33 dias, com duração de cerca de cinco dias. Desta forma, o sangramento anormal é aquele caracterizado por intervalos entre as menstruações menores ou iguais a 21 dias, duração da menstruação por mais de sete dias e/ou perda de sangue maior que 80 ml/ciclo, quando o habitual é entre 25 a 35ml”.

Causas e sintomas -O sangramento uterino anormal pode ocorrer tanto na infância, adolescência, idade reprodutiva e após a menopausa, pois “em todos estes períodos da vida da mulher, ocorrem disfunções ligadas à parte hormonal e que podem ocasionar este sangramento anômalo”.

Mulheres que sofrem com o sangramento uterino anormal, geralmente, apresentam como sintomas a perda de sangue imprevisível, irregular, com alterações de intensidade, duração e intervalo entre os episódios de sangramento ou curto espaço entre as menstruações, quando a causa é ovulatória.

A endometriose pode ser uma causa de sangramento, mas a especialista esclarece que este sintoma é raro nestes casos. “Somente 10% das pacientes podem apresentar irregularidade menstrual devido à endometriose e, normalmente, são aquelas que possuem cistos ovarianos de endometriose, que geram uma disfunção da parte hormonal nestas mulheres”, relata a Dra. Rosa Neme.

As causas podem ser divididas em cinco grupos:

1. Ligadas à gestação: abortamento, gravidez ectópica (fora do útero) e neoplasia trofoblástica gestacional (mola hidatiforme);

2. Doenças genitais e causas externas: Doenças da vulva (Úlceras de vulva, traumas, escoriações, inflamações na vulva e câncer de vulva); Doenças da vagina e colo do útero (vulvovaginites, cervicites, pólipos no colo do útero, corpo estranho, traumas, câncer de vagina e câncer de colo uterino) e Doenças do útero e ovários (mioma, adenomiose, endometrite e/ou anexite, pólipos endometriais, sarcoma uterino, câncer de endométrio e tumores ovarianos);

3. Doenças sistêmicas: distúrbios de coagulação, hipotireoidismo, insuficiência renal, insuficiência hepática e diabetes;

4. Causas Iatrogênicas: uso irregular de contraceptivos hormonais, terapia de reposição hormonal, uso de medicações como tranquilizantes, antidepressivos, anticoagulantes, aspirina, corticoides;

5.Hemorragia Uterina Disfuncional: qualquer outra causa que não se enquadre nas anteriores. “Ela está ligada a uma disfunção hormonal e pode ser ovulatória ou anovulatória”.

Segundo a ginecologista, quem faz uso de anticoncepcionais ou de algum outro tipo de método contraceptivo, geralmente, não apresenta o problema. “O contraceptivo hormonal serve justamente para regular alguns tipos de disfunções. No entanto, o sangramento irregular também pode ocorrer em fases de adaptação da mulher ao método”.

Tratamento -Como o sangramento uterino anormal tem diferentes origens, o tratamento também será distinto. “Nos casos da hemorragia uterina disfuncional, o tratamento é realizado com medicações hormonais. Nos demais casos, trata-se a causa de base. Mas, se o problema ocorre em casos de mioma, adenominose (quando o endométrio infiltra o tecido miometrial do útero), câncer ou pólipos (tecido que cresce dentro do útero) o tratamento é eminentemente cirúrgico”.

Quando o caso é cirúrgico, uma alternativa à laparoscopia convencional é a cirurgia com uso da tecnologia robótica. Este procedimento, minimamente invasivo, tem uma atuação significativa em doenças ginecológicas benignas, pois permite uma visão mais precisa e detalhada da região a ser operada.

“A aplicação da tecnologia robótica em casos ginecológicos tem se mostrado como uma alternativa excepcional. Vantagens, como a possibilidade de uma visão tridimensional da cavidade abdominal, melhor visibilidade da anatomia da pelve e menor sangramento intra-operatório, garantem melhor recuperação da paciente, um menor tempo de hospitalização e um tratamento mais efetivo da doença a ser tratada, ou seja, os resultados cirúrgicos se mostram mais eficazes e a chance da doença voltar é bem remota”, finaliza Dra. Rosa Neme.

Perfil -Dra. Rosa Maria Neme (CRM SP-87844) - É graduada em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (1996) e doutorado em Medicina na área de Ginecologia pela Universidade de São Paulo (2004). Realizou residência-médica também na Universidade de São Paulo (2000). É membro da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia e Sociedade de Ginecologia do Estado de São Paulo (FEBRASGO/ Sogesp) e membro da Associação Americana de Laparoscopia Ginecológica (AAGL). Além de dirigir o Centro de Endometriose São Paulo, ela integra a equipe médica do Hospital Israelita Albert Einstein.

O Centro de Endometriose São Paulo conta com serviços voltados à assistência global da saúde da mulher e valorização da beleza feminina. A iniciativa deste projeto pioneiro é da Dra. Rosa Maria Neme, que possui diversos trabalhos publicados sobre a endometriose e larga experiência no tratamento desta doença. Ela lidera uma equipe clínica formada por médicos e profissionais nas áreas de ginecologia, radiologia, cirurgia do aparelho digestivo, urologia, clínica geral, anestesia especializada no tratamento de dor, dermatologia, fisioterapia, nutrição e psicologia.

Fonte: http://www.revistarfator.com.br/

 



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