"fomos escolhidos por eles"
diz casal que adotou cinco irmÃos no acre

A pergunta "é você que vai ser meu pai?" foi determinante para derreter o coração de Washington Menezes Camelo, de 35 anos, e de Antônia Inês Camelo, de 38, e fazer com que o casal decidisse adotar cinco irmãos que esperavam por uma família há dois anos.

Os pequenos Carlos Eduardo, de 8 anos, Maria Eduarda, de 7, Carlos Henrique, de 5, Luis Fernando, de 3 e Hadassa, de 1 ano e três meses, foram deixados pelos pais biológicos no Educandário Santa Margarida, em Rio Branco.

Washington conta que quando se casou, ele e a mulher não tinham intenção de ter filhos, mas, com o passar do tempo, decidiram tentar. Depois de 10 anos, descobriram que Antônia tinha endometriose e não podia engravidar. Foi então que o casal resolveu se inscrever no Cadastro Nacional de Adoção. A espera até a realização do sonho durou ao menos dois anos e meio. Mas, não foi por meio do cadastro que eles adotaram o primogênito da família, o Efraim.

"Antes de adotarmos os cinco irmãos, primeiro veio o Efraim. Uma amiga ligou e disse que havia uma mãe que queria entregar o filho para adoção. Foi então que resolvemos conhecer essa mãe. Antes de ficarmos com ele, tentamos convencer essa mãe a não entregá-lo, mas ela não queria, tinha os motivos dela. Pegamos ele com três dias de nascido, nem o peito ela tinha dado para ele", lembra emocionado.

Um ano e meio após a chegada do pequeno Efraim, hoje com dois anos e meio, o servidor público conta que recebeu uma ligação da Vara da Infância informando sobre a disponibilidade de dois grupos de irmãos, um com quatro crianças e outro com cinco, que estavam destituídos da família e disponíveis para adoção.

"Com o Efraim vimos a necessidade de termos uma menininha, nunca pensamos em ter seis filhos, mas Deus quis assim. Quando recebi a ligação não respondi nada, pois precisava conversar com minha mulher. Assim que ela soube quis ir até o Educandário conhecer as crianças. Quando chegamos, o grupo de quatro irmãos não nos aceitou muito bem. Foi quando o Henrique olhou para mim e perguntou 'você vai ser o meu pai?'. Nosso coração quebrou ali, abraçamos ele, parecia que há muito tempo eles todos esperavam por nós", conta.

Antônia lembra que quando viu as crianças não sentiu medo e em nenhum momento pensou em desistir. "Avisei para minha mãe e ela disse que seria difícil, mas não foi contra. Nós consideramos cada um deles como sendo um presente de Deus e acreditamos que com amor o medo vai embora. Hoje nossa vida está completa, não imagino nossa vida sem eles", fala.

Mudança radical na rotina

O pai conta que eles tinham uma casa própria, mas, com a chegada de Efraim, alugaram o imóvel e tiveram que se mudar para um maior. Depois, com a chegada dos cinco irmãos, o casal precisou se mudar novamente, dessa vez para uma casa com quatro quartos para acomodar toda a criançada.

"Não foi fácil, pois sou funcionário público e tenho uma renda de quatro salários mínimos, então, o orçamento é apertado. Mas é gratificante, lembro do dia em que nós pegamos a guarda provisória e levamos eles para comprar sapatos. Eles queriam dormir com os sapatos nos pés de tão felizes que ficaram. Tivemos também que vender nosso carro e comprarmos uma van".

A rotina da grande família começa cedo. A mãe, que antes era professora e teve que largar a profissão para cuidar dos filhos, conta que acorda às 5h, coloca todos para tomar banho, e leva quatro à escola e dois à creche. "Depois volto para casa, faço o almoço e me preparo para recebê-los de novo. Minha vida hoje é completa, eles são meus filhos do coração, não me imagino sem eles", fala Antônia.    

No Dia Nacional da Adoção, comemorado nesta quarta-feira (25), o casal deixa um recado para quem está interessado em adotar uma criança. "Adoção para nós é sinônimo de amor. Nosso recado para quem está esperando é que não desista, porque essas crianças precisam de um pai, de uma mãe, elas precisam de um lar para serem amadas. Não fomos nós que escolhemos eles, não fomos nós que adotamos eles, nós fomos escolhidos por eles", finaliza.

Processo de doção

O processo de adoção dos cinco e do Efraim ainda está em andamento. "Ainda estamos com a guarda provisória", diz.

Mesmo estando aptos para a adoção e as crianças terem sido destituídas da família, o casal ainda aguarda o procedimento judicial.  "Tem toda uma visita da assistente social, psicólogos, em agosto vai fazer um ano que adotamos os irmãos. Ainda não temos a documentação deles, somente a guarda provisória. A do Efraim agora que está saindo a nova certidão de nascimento, então o processo é meio demorado", explica Washington.

Saiba como funciona o Cadastro Nacional de Adoção

Em Rio Branco, 148 pessoas estão na fila esperando a oportunidade de adotar uma criança. Aptos para adoção no Educandário há apenas um grupo de quatro irmãos. Os demais ainda aguardam os trâmites legais. 

De acordo com o juiz Romário Divino, uma criança pode ser adotada quando é abandonada, mas há ressalvas. Ele diz que a Justiça primeiro tenta localizar algum parente e, caso não encontre ninguém apto é iniciado o processo de destituição familiar. Só depois disso, a criança fica disponível para adoção.

Sobre o tempo que leva o processo de adoção, o juiz explica que a demora, em média, é de um ano a um ano e meio. Mas o tempo pode ser maior dependendo do perfil específico da criança que os interessados possa querer.

Para entrar no Cadastro de Adoção é preciso procurar uma Vara de Infância e Juventude do município onde o interessado mora e apresenta a documentação necessária. Entre os requisitos é necessário ter mais de 18 anos. O interessado precisa ter diferença de idade de 16 anos em relação à criança que será adotada.

Documentação necessária

O interessado deve apresentar identidade; CPF; certidão de casamento ou nascimento; comprovante de residência; comprovante de rendimentos; atestado ou declaração médica de sanidade física e mental; certidões cível e criminal.

Após a apresentação dos documentos, o pretendente passa por uma preparação psicossocial. O candidato recebe visitas domiciliares e, durante a visita técnica, é estabelecido o perfil da criança almejada. Após isso, o nome será incluso no cadastro por dois anos.

Quando uma criança que se encaixa no perfil é encontrada, ela é apresentada ao interessado e então, é iniciado o processo de convivência com visitas ao abrigo. Depois disso, o interessado recebe autorização para a guarda provisória. Divino diz que após esse processo, a Justiça continua a visitar a nova família e a equipe entrega uma avaliação final. E, por fim, é autorizado um novo registro de nascimento.

Fonte: G1


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