ENDOMETRIOSE REQUER DIAGNÓSTICO PRECISO E TRATAMENTOS

A maioria das mulheres já sentiu o desconforto de uma cólica e aprendeu a conviver mensalmente com ela. O problema é quando a intensidade da dor é tão forte que se torna quase impossível até levantar da cama. Este é um dos sinais da endometriose, problema que atinge entre 10% a 15% das brasileiras em fase reprodutiva, segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde).

“Sentia muita dor, muita cólica e muito sangramento. Ficava até quatro dias limitada a uma cama. Isso não podia ser normal”, conta a dona de casa Dionete Aparecida dos Santos Barbosa, de 54 anos.

A endometriose, segundo Rodolfo Strufaldi, professor de Ginecologia da Faculdade de Medicina do ABC e coordenador do Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher de São Bernardo, é quando as células do endométrio, camada de revestimento interna do útero, se alojam em locais não desejados, que pode ser, por exemplo, nos ovários ou cavidade abdominal.

A principal forma de tratamento da doença é a videolaparoscopia, “em que além da possibilidade de retirada de material para biópsia, lesões ou cistos endometrioides, permite a realização de cauterização intraoperatória das lesões”, afirma Strufaldi.

Para evitar a cirurgia, podem ser utilizados também hormônios via oral e anticoncepcionais contínuos. Em casos mais graves, há ainda os bloqueadores do ciclo menstrual por um período de seis meses.

A primeira vez que Dionete suspeitou ter a doença foi aos 28 anos. “Na época, fiz exames detalhados e até raio-x das trompas. Descobrimos a endometriose e fiz a primeira cirurgia.”

A maior consequência da endometriose é a dificuldade de engravidar pela anovulação crônica, ou seja, quando há ausência de ovulação. Dionete, no entanto, não apresentou este problema. “Engravidei do meu terceiro filho três meses após a cirurgia.”

A doença, no entanto, pode voltar mesmo depois da intervenção cirúrgica. “É uma doença silenciosa com característica genética, estando na dependência individual de cada mulher ou do tratamento efetuado. Uma coisa é certa, que após a parada da menstruação (menopausa), a doença está encerrada, pois não há mais a ação do estrogênio como ''''alimento'''' para a endometriose.”

Três anos depois da videolaparoscopia, aos 31 anos, Dionete voltou a sentir os mesmos sintomas. Só que dessa vez, a dona de casa conseguiu tratar com hormônios oral e colocados no útero, além de pílula contínua. Aos 40, a endometriose reapareceu e foi preciso realizar uma segunda cirurgia.

O ponto final da história foi quando a doença atingiu Dionete ainda mais forte, aos 47, e junto ao médico, optou pela retirada do útero. “Já não queria mais engravidar e estava perto da menopausa, então resolvi acabar de vez com o problema.”

Apesar de diversos estudos, ainda não se sabe ao certo as causas da endometriose. “Parece haver um componente genético, autoimune que favorece que aproximadamente 10% das mulheres possam desenvolver um quadro de endometriose. Cirurgias abdominais ginecológias, partos cesáreas, cirurgias de mioma podem facilitar o implante de células endometrias. O uso de anticoncepcionais regularmente pode evitar a doença, mas não impede completamente seu aparecimento. Inúmeras mulheres que usaram pílulas por muito tempo, nunca tiveram cólicas, dores ou que tiveram filhos sem dificuldade talvez nunca saibam que tenham esta doença, ou só descubram em alguma cirurgia por acaso durante sua vida.”

Uma das filhas de Dionete também descobriu a doença. “No caso dela, é bem mais fraca e ela faz tratamento que, mesmo não sendo definitivo, tem sucesso a longo prazo. É uma doença silenciosa e que exige um monitoramento constante”, finalizou.

Fonte: DGABC

 



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