aTENÇÃO À ENDOMETRIOSE DESDE CEDO

A doença pode surgir da primeira à última menstruação. As pacientes, em média, levam sete anos para receber o diagnóstico. Por isso, reconhecer os sintomas já na adolescência é essencial para ter mais qualidade de vida

Tensão pré-menstrual, sangramento e cólicas fazem parte da rotina mensal das mulheres. Do início da puberdade ao climatério, elas convivem com esses e outros fatores ligados às suas funções fisiológicas e reprodutivas. Não bastasse todo o cuidado que um ciclo menstrual acarreta, uma importante parcela das mulheres tem sintomas mais intensos, tão fortes que diminuem drasticamente a qualidade de vida. O que muitas mulheres não sabem, é que podem ter endometriose.

A doença acontece quando o tecido que reveste a cavidade uterina, o endométrio, se implanta fora do útero. Acompanhe a entrevista que a VivaSaúde fez com especialista Mauricio Simões Abrão, professor associado do departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e presidente da Sociedade Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva (SBE) para entender sobre a doença:

Qual é a importância do diagnóstico precoce da doença?

A endometriose é uma das principais causas de dor pélvica e de infertilidade na mulher. O diagnóstico precoce é fundamental para uma melhor perspectiva terapêutica. A endometriose é evolutiva. Por isso, quanto antes a identificarmos, menor será o número de casos avançados. Estudos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da USP de Ribeirão Preto mostram que o tempo entre o início dos sintomas e a confirmação da patologia é de 7 anos. Dois fatores são responsáveis por tanta demora.

O primeiro é resultado da falta de acompanhamento especializado. Isso quer dizer que a paciente passa anos sem procurar o médico, ainda que seu corpo lhe dê sinais periódicos de que algo está errado. Além disso, o médico pode demorar a pensar na possibilidade das queixas relatadas pelas mulheres indicarem a existência da endometriose. Por esses motivos, fazemos campanhas e ações de esclarecimento sobre a etiologia da doença para especialistas e leigos.

O que a doença implica na vida da paciente?

Fica fácil entender como ela prejudica diretamente a qualidade de vida da paciente e sua capacidade de reprodução se entendermos quais são seus sintomas. Os principais sinais são: cólicas menstruais severas; dor durante a relação sexual; dificuldade para evacuar ou urinar durante os períodos de menstruação; e dificuldade para engravidar. Esses sintomas podem coexistir ou, eventualmente, a mulher pode apresentar um ou mais de forma mais intensa. As cólicas, por exemplo, podem ser tão fortes que se tornam incapacitantes, impedindo que a paciente reúna condições mínimas para atividades do dia a dia.

Como uma mulher desenvolve a endometriose?

Existem inúmeras teorias sobre suas causas. A primeira mais consistente surgiu em 1927, que ligava a doença à menstruação retrógada. Quando uma mulher menstrua, ela elimina o endométrio pelo sangue. O tecido, então, pode refluir pelas tubas uterinas, antigamente chamadas de trompas, levando, assim, o endométrio à cavidade abdominal. Outras teses associaram a patologia a variações nos cromossomos 10 e 17. Atualmente, uma linha bastante aceita se refere a alterações do sistema imunológico da mulher. Outras doenças que atacam o mecanismo de defesa do corpo também têm relação com o desenvolvimento da endometriose. Por exemplo, 30% desse grupo de pacientes têm problemas na tireoide.

De que forma o médico chega ao diagnóstico?

A análise de certeza é dada pela laparoscopia. Esse é um procedimento de certa forma invasivo, pois acarreta pequenos cortes por onde se inserem duas pinças e uma câmera (óptica) que é conectada a um sistema de monitor, permitindo que o especialista observe a existência da endometriose por vídeo. Essas e outras incisões já permitem tratar alguns casos pela inserção de caltérios, um instrumento que produz uma corrente elétrica e é usado para ressecar os focos.

E como é o tratamento?

As abordagens variam, mas a partir do momento que identificamos a doença é preciso tratá-la imediatamente. É possível tratar suas consequências, visando a eliminar e controlar as lesões já existentes. É necessário, também, aplicar terapias de causa, que são, na verdade, meios de prevenção. A primeira linha de cuidados vai variar de acordo com o tipo da patologia. Em geral, o tratamento é cirúrgico. Pela laparoscopia, o cirurgião remove seus focos. Em seguida, é recomendado um reforço terapêutico hormonal. Se a paciente desejar engravidar, é indicado o tratamento de acordo com o local acometido e quais fatores associados de infertilidade ela pode apresentar. Para casos de obstrução tubária, o processo mais apropriado é a fertilização in vitro. Entre as mulheres ainda jovens e com a anatomia uterina preservada é possível indicar simplesmente a indução de circulação ou a fazer uma inseminação artificial. Já o tratamento da causa é fundamental. É preciso entender que cuidar da endometriose não se resume apenas à luta contra as lesões do órgão. Significa, também, olhar para seu estado emocional, estimular atividades físicas, psicoterapia, hobbies, minimizar fatores de estresse. Médico e paciente precisam entender que imunidade também está envolvida no desenvolvimento da doença.

Fonte: Revista Vida e Saúde

 

 



Av. dos Andradas, 3323 - Sala 804 - Sta Efigênia - B.Horizonte
Tel.: (31) 2510-3355 e (31) 2510-3311
Próximo ao Hospital Militar, estacionamento pela Av. Contorno
Como Chegar
Veja no Google Maps como
chegar em nossa clínica