aUDIÊNCIA PÚBLICA DISCUTE DIAGNÓSTICO E TRATAMENTOS DA ENDOMETRIOSE

"Dores frequentes, sangramentos intensos, muitas vezes até fora do período menstrual, dilatação da barriga nos períodos menstruais, isolamento do convívio social, desânimo, vontade de faltar ao trabalho por tanta dor, incompreensão por parte dos empregadores, companheiros, familiares, amigos. Irritação por tudo isso que essa doença traz com ela. Pressão dos parceiros por filhos, que não conseguem conceber. Conhecem alguém assim?"

Os sintomas que você acaba de ouvir se referem à endometriose, doença que acomete mais de 6 milhões de brasileiras, segundo estimativas, mas ainda pouco conhecida da população. E a indagação foi feita por quem conviveu com o mal durante 25 anos, a pedagoga Cláudia Vasconcelos, presidente do Portal de Informação e Apoio às Portadoras de Endometriose, em audiência pública realizada nesta quinta-feira, pela Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara. A doença ocorre quando o tecido que existe dentro do útero, o endométrio, se implanta fora dele. Pode causar dores intensas e é considerada uma das principais, senão a principal causa da infertilidade.

A ideia do deputado Roberto de Lucena, do PV de São Paulo, ao propor a audiência pública, foi discutir os diagnósticos e tratamentos, além de chamar a atenção para a doença.

"Nós pretendemos tomar uma série de iniciativas com a sociedade civil organizada e com a classe médica, para que possamos fazer a proposição ao governo de algumas políticas públicas, inclusive à Comissão de Seguridade Social e Família, porque pretendemos que ela, no orçamento do próximo ano, possa fazer a destinação de uma emenda de comissão para criarmos centros de referência no Brasil."

Outra necessidade apontada na audiência é a capacitação de profissionais. O diagnóstico da doença leva de 7 a 12 anos. Essa demora deixa marcas psicológicas nas portadoras e prejuízos financeiros, porque provoca ausências no trabalho e diminuição da produtividade. O meio mais comum para diagnosticar a endometriose é por meio da laparoscopia.

Mas o Brasil é pioneiro em uma técnica que permite o diagnóstico por exame clínico e ultrassom. O novo procedimento, porém, demanda profissionais capacitados para utililizá-lo. O problema é que a rede pública está pouco preparada para atender as necessidades, na opinião do presidente da Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva, Mauricio Abrão.

"Em termos de laparoscopia em si, são poucos os hospitais da rede pública que estão capacitados para fazer esse tipo de procedimento no Brasil inteiro. Então, obviamente, um bom investimento é necessário para a abordagem da laparoscopia. No sentido do ultrassom, muitos serviços têm ultrassom, mas a capacitação dos médicos também pode ajudar muito na melhoria do diagnóstico da doença."

A coordenadora da área técnica de Saúde da Mulher do Ministério da Saúde, Maria Esther Vilela, disse que o Sistema Único de Saúde já oferece tratamento para a endometriose desde o atendimento ambulatorial até a realização de cirurgias. Segundo ela, o desafio é qualificar os médicos da rede e alertá-los para a doença.

Fonte: Portal da Câmara

 

 



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