CÓLICA PODE SER SINAL DE ENDOMETRIOSE?

Cólicas fortes, diarreia, dificuldade para engravidar e dores na relação sexual são os principais sintomas de um mal que atinge cerca de 10% das brasileiras em idade reprodutiva. A endometriose. De acordo com a médica ginecologista Giselle Kluppel Lima, as cólicas da endometriose surgem durante o período menstrual e vão embora logo em seguida. “Por isso podem ser confundidas com as cólicas menstruais normais. A maioria das mulheres só descobre a doença quando querem engravidar e não conseguem”, explica.

A DOENÇA

Segundo a médica, a endometriose é a presença de tecido, semelhante ao tecido que reveste o interior do útero (endométrio) em outras partes do útero ou em outros órgãos da pelve. “É uma doença dolorosa, pois mesmo se localizando na parte extrema do útero, sofre influência das oscilações hormonais”, explica. Giselle comenta que os focos de endometriose sangram todo mês durante seu período normal, mas o sangue não tem para onde ir. “Além de dolorosa, a endometriose também pode tornar difícil a gravidez uma condição conhecida como infertilidade.”

Considera-se que a endometriose afete uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva. Segundo a médica, a endometriose é frequentemente diagnosticada pelos médicos durante exame ginecológico. Mas não é em todos os casos que isso acontece. A jornalista Juliana Ramos, demorou a descobrir o problema. “Passei muitos anos trocando de médico para descobrir o que eu tinha, pois as cólicas menstruais eram dolorosas, eu chegava a desmaiar de dor, além de ter anemia”, diz. Segundo ela, nos exames de ultrassom não apresentavam alteração. Até que uma médica sugeriu que ela fizesse uma cirurgia chamada videolaparoscopia. “Depois de dois anos, em 2008, fiz a cirurgia, que é muito simples. Meu grau de endometriose era grave. Já estava com aderência de alguns órgãos, inclusive o intestino”, comenta.

SINTOMAS

De acordo com a médica ginecologista, há duas teorias prováveis para o desenvolvimento da doença. Segundo ela, a endometriose pode ser provocada por pedaços de tecido que revestem o útero ao se desprenderem durante a menstruação vão para o exterior do útero pelas tubas uterinas. “Ou quando a área de células no exterior do útero se transforma em áreas de endometriose sob influencia das oscilações hormonais do ciclo menstrual”, explica. De acordo com a especialista, se a endometriose estiver localizada na bexiga ou no intestino, pode causar sintomas urinários ou intestinais durante a menstruação, como, por exemplo, dor ao urinar ou diarréia.

“A dor crônica pode levar a problemas como cansaço, perda de sono, alterações de humor, depressão, anemia, tensão pré-menstrual e dor lombar”, alerta. Segundo Juliana, que se aprofundou no assunto, a endometriose não tem cura. Enquanto a mulher menstruar, a chance de formar os coágulos de sangue continua. “É uma doença da modernidade, pois as mulheres menstruam mais, porque engravidam mais velhas, têm menos filhos, o que não ocorria antigamente”, explica.

GRAVIDEZ

Juliana comenta que a endometriose é responsável por um grande índice de infertilidade nas mulheres. “No meu caso, a minha médica me orientou que não era impossível engravidar, mas seria muito difícil”, diz. Mas para a surpresa e alegria de Juliana, após dois anos da cirurgia, em setembro de 2010, descobriu que estava grávida. “Não fiz nenhum tratamento específico para engravidar”, conta. Contudo, a gravidez foi delicada. Foram muitos os cuidados, principalmente no primeiro trimestre. “Tive cólicas, semelhantes às menstruais, durante a gravidez toda.” Segundo Juliana, quando estava com seis meses e meio de gravidez teve uma complicação, a bolsa furou e ela teve de ficar internada e em repouso absoluto. “Mas segundo os médicos não tinha relação com a endometriose”, diz.

Segundo ela, durante o parto, os médicos aproveitaram para verificar se endometriose tinha voltado e encontraram diversos focos, foram retirados. Atualmente, o tratamento que faz é fazer uso de anticoncepcional contínuo para não menstruar, além de acompanhamento médico periódico. “Ter um filho é um grande tratamento para endometriose, pois durante nove meses a mulher não menstrua. Nesse tempo o problema pode ser cicatrizado e estabilizado.” Para Juliana, é importante que as mulheres que sintam muitas cólicas durante a menstruação não acreditem que sejam cólicas normais e procurem um médico. “Quanto antes for detectada, mais fácil é o tratamento”, alerta. Segundo ela, é necessário também ter um médico de confiança. “A experiência e a dedicação da minha médica foram fundamentais na descoberta da minha doença e na minha gravidez”, ressalta. rande p

Fonte - Correio do Norte Online

 



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