ALLURENE OU VISANNE: TUDO SOBRE O REMÉDIO QUE COMBATE AS DORES DA ENDO

Na quinta-feira, dia 09, cobri meu primeiro evento como jornalista pelo blog: a coletiva de imprensa do novo medicamento da Bayer, que promete acabar com a dor da endometriose. Só não postei no mesmo dia, porque cheguei muito cansada em casa. Adivinha qual o nome desse remédio? No Brasil, ele se chama Allurene, mas na Europa, já é comercializado há alguns anos com o nome de Visanne. Quando recebi o convite e escutei as palavrinhas mágicas: remédio que acaba com a dor da endometriose, juro que pensei: “Justo agora, que não tenho mais aquelas dores fortes.

Mas, logo em seguida, pensei de novo: “Ainda bem, pois tem muitas mulheres vivendo como se estivessem no inferno, naquela quentura toda por conta das dores fortes. Mas, qual dor esse medicamento vai combater?” Afinal, as portadoras de endometriose sentem tantas dores. É dor abdominal, dor pélvica, dor na lombar, dor nas pernas, dor durante as relações sexuais, dor muscular, é dor no corpo todo... e por aí vai, só para constar algumas das nossas dores. Sem contar que as dores aparecem de diversas maneiras, como ardência, pontadas (que pode ser como facadas e/ ou agulhadas), ferroadas, dentre muitas outras.

Já percebi que esse remédio é o assunto do momento. Então, vamos lá. O Allurene é um repositor hormonal à base de dienogeste, um tipo de progesterona, que inibe a produção do estrógeno no endométrio. Como sabemos, é o estrógeno que alimenta a endo. E, com esse hormônio sintético de progestina, “as lesões não recebem mais o alimento e morrem de fome”, explicou Theo van der Loo, presidente da Bayer no Brasil. Sem alimentar as lesões de endometriose, o Allurene promete combater às dores pélvicas e também à dispareunia, a dor durante as relações sexuais. Quem falou sobre a dispareunia foi o especialista espanhol dr. Francisco Carmona, professor da Universidade de Barcelona e chefe do serviço de ginecologia na Clínica e Hospital de Barcelona, que viajou ao Brasil, pela primeira vez.

Confesso que gostei muito da explicação dele sobre o assunto. De acordo com dr. Carmoma, ao combater às dores pélvicas, esse remédio pode melhorar a libido da mulher e, consequentemente, a paciente pode voltar às suas atividades sexuais. O especialista catalão afirmou que muitos médicos não tratam a dispareunia por terem vergonha de perguntar às pacientes sobre suas atividades sexuais ou por falta de informação mesmo. Acreditam?

Porém, um alerta: mesmo os especialistas falando que o Allurene não é um anticoncepcional, esse medicamento tem ação contraceptiva, sim. Ele tem a mesma ação dos análogos de GnRH, tipo o Zoladex, só que sem os tão tenebrosos efeitos colaterais desse veneno (sim, esse remédio é um veneno ao nosso organismo), e é o primeiro tratamento a longo prazo para tratar a endometriose. Conforme todos os especialistas que estavam lá, os análogos de GnRh não devem ser usados por mais de 6 meses, pelo simples fato de causar a osteoporose, já que afeta nossa massa óssea, tirando o cálcio dos nossos ossos.

Durante o estudo realizado por 15 meses, os efeitos colaterais mais observados no ensaio clínico do Allurene foram: dores de cabeça, desconforto nos seios, depressão, alteração do sangramento menstrual. Durante as explicações nenhum especialista falou sobre o preço e se o medicamento iria atingir boa parte das mais de 10 milhões de brasileiras acometidas pela doença. Quando abriram para perguntas, levantei o dedo e soltei a minha: “Infelizmente tratar uma mulher com endometriose já virou um grande comércio no Brasil. A Bayer pensa em popularizar o medicamento, porque R$ 200 reais a cartela com 28 comprimidos está muito fora da nossa realidade?” A resposta foi uma comparação com o Zoladex, algo que eu jamais imaginei escutar.

“Comparando que os efeitos do medicamento são os mesmos do Zoladex, o Allurene é mais em conta. E também precisamos resgatar o investimento que tivemos durante os estudos e testes.” Enquanto eu estava no trânsito, a caminho do hotel Hyatt, onde se realizou a coletiva, fiz as contas: o meu Mirena custou R$ 718 reais e dura cinco anos: então por mês estou gastando 12 reais. Para um anticoncepcional à base de progesterona que custa em média R$ 50 reais (os já existentes no mercado e que eu já acho caro!): a mulher gasta R$ 600 reais por ano e 3 mil em cinco anos; agora com o Allurene, que cada caixa custar R$ 200 reais, cada mulher vai gastar cerca de R$ 2600 reais por ano e uns R$ 13 mil reais em cinco anos.

Gente, a medicação é de uso contínuo. E eu pergunto: “Quem tem esse dinheiro todo?” E outra, todo mundo sabe que investimentos, não importam se seja numa empresa nova ou em qualquer outra coisa, o tempo para recuperar o investimento inicial é de pelo menos cinco anos. Como portadora de endometriose, confesso que fiquei decepcionada com mais um remédio de alto-custo, porque se esse remédio aliviar as dores da endo mesmo, apenas uma parcela mínima da população poderá comprá-lo. Ainda bem que estou muito bem com o Mirena. Eu, que sou uma privilegiada em nosso país, por pertencer à classe média desde que nasci não tenho condições de pagar por este medicamento, imagine quem ganha um salário mínimo de R$ 622 reais.

Outra jornalista perguntou se havia prazo de o medicamento ser entregue pelo SUS. E a resposta foi não, mas o presidente da Bayer deixou claro que a empresa está aberta para negociações com o governo. Quando ele disse isso, eu quase perguntei: “Qual governo, porque a nossa presidente não conhece e muito menos reconhece as portadoras de endometriose.” O governo federal não tem nenhum plano de governo para nós, portadoras de endometriose. E isso porque somos governados por uma mulher. Ah, que vergonha que eu tenho disso. E tenho raiva também da tal da Dilma Rousseff. Vamos ver se até seu mandato acabar (e espero que seja o primeiro e o último!), ela vai nos enxergar.

Esse foi apenas o primeiro artigo para esclarecer algumas dúvidas sobre o Allurene. Ainda tenho muita coisa para falar, porque o sei que no Brasil há um imposto muito caro sobre os remédios e isso foi falado algumas vezes pelo Theo. Aliás, o governo deveria não só baixar, mas excluir os altos impostos brasileiros das medicações de doenças crônicas, mas isso só acontece com o câncer. E a endometriose, Dilma Rousseff, será que nunca iremos existir pra você, presidente? Segundo Theo, na Europa e nos Estados Unidos, esse medicamento é mais barato porque não há impostos do governo sobre ele. E, em países de primeiro mundo, ou o governo paga os medicamentos ou os planos de saúde. Eu gostei muito quando Theo falou sobre isso e mais ainda quando ele disse que a Bayer está aberta a negociações. Beijos com carinho!!

Fonte: Blog A Endometriose e Eu

 



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